Popularidade em queda: como a economia virou um desafio para Lula a um ano e meio das eleições
Especialistas ouvidos pelo g1 listam série de obstáculos econômicos e políticos para o governo até 2026. Poder de compra da população, juros altos e falhas na comunicação são preocupações centrais.

As mais recentes pesquisas de opinião mostram o declínio da popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). São dados que vêm na esteira de fatores econômicos e políticos desafiadores para o governo, a pouco mais de um ano e meio das eleições de 2026.
Além da disparada no preço dos alimentos — que elevou a insatisfação de grande fatia do eleitorado —, especialistas ouvidos pelo g1 apontam falhas na comunicação e problemas de estratégia entre os aspectos que ajudaram a aumentar o sentimento negativo de parte da população.
A condução das contas públicas e a insatisfação do mercado financeiro também pesam para o balanço final da avaliação de Lula. Nessa conta, entram a inflação, a consequente queda no poder de compra dos brasileiros e os juros em níveis elevados, com a taxa Selic hoje a 14,25%.
O governo tem adotado medidas, como a de facilitar o acesso ao crédito e tentar conter a alta dos alimentos. Também apresentou projeto para isentar do Imposto de Renda (IR) quem ganha até R$ 5 mil por mês e conceder descontos àqueles que recebem até R$ 7 mil.
Os esforços, no entanto, podem não surtir o efeito esperado no humor do eleitorado, avaliam cientistas políticos.
As ações podem não ser suficientes, de fato, para desafogar o bolso da população. A análise é que os incentivos podem até trazer um alívio momentâneo, mas o desafio será mitigar os impactos econômicos da elevação de gastos públicos.
Já a última pesquisa Ipsos-Ipec, divulgada em 13 de março, aponta que 41% dos brasileiros avaliam o atual governo Lula como ruim ou péssimo, enquanto 27% o consideram ótimo ou bom. Foi a primeira vez neste mandato que o instituto indicou avaliação negativa superior à positiva.
Entre dezembro de 2024 e março deste ano, houve crescimento de 7 pontos entre os insatisfeitos com a gestão petista.
Um mês antes, pesquisa Datafolha indicou que o presidente alcançou seu pior nível de aprovação em todos os seus três mandatos (24%), além de uma reprovação (41%) também recorde.
Na ocasião, 8 pontos podem justificar a queda na popularidade de Lula, incluindo a crise do PIX — que gerou uma onda de fake news sobre a fiscalização do meio de transferência —, a disparada nos preços dos alimentos e a atuação eficaz da oposição.
Cenário atual e contexto histórico ajudam a explicar baixa
- Comunicação
Diante dos desgastes, o governo nomeou, em janeiro, Sidônio Palmeira como novo ministro da Secretaria de Comunicação. Marqueteiro de Lula na campanha de 2022, ele assumiu após avaliação do Planalto de que a queda na popularidade seria resultado, principalmente, de dificuldades na comunicação.
Sidônio atualizou a linguagem das redes sociais de Lula e passou a apostar na comparação da gestão do presidente com a de Jair Bolsonaro (PL), com o intuito de tentar convencer o eleitorado de que o país está em um processo de melhora.
O novo ministro tem atuado também para dar visibilidade a ações positivas do governo, como as altas do Produto Interno Bruto (PIB) em 2023 e 2024, o aumento real do salário mínimo, a geração de empregos e a baixa taxa de desemprego.
"Por mais que a comunicação tenha se tornado mais efetiva, ainda não gerou resultado nesses 3 meses da gestão de Sidônio", analisa Cristiano Noronha, vice-presidente da Arko Advice.
Segundo o cientista político, ainda há chances de que o governo consiga reverter a situação. Isso irá depender de uma série de fatores, como ações que garantam sensação de melhora no poder de compra da população.
- Inflação e disparada dos alimentos
Em 2024, a inflação estourou o teto da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e fechou o ano a 4,83%. A meta era de 3% e seria considerada cumprida se ficasse em um intervalo entre 1,5% e 4,5%.
Com alta de 7,69%, o preço dos alimentos foi o que mais se destacou no período. Itens básicos foram atingidos, como o café, que subiu quase 40% no ano passado. Além disso, o subgrupo Alimentação no domicílio avançou 8,23% no ano, com o aumento no preço da carne (20,8%) como destaque.

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