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EUA propõem tarifar Brasil e 59 economias por falha contra trabalho forçado

Sobretaxa poderá ser de 10% a 12,5%; USTR critica falta de ações contra importação de produtos produzidos nessas condições

Por Redação Sergipe Notícias Publicado em 03/06/2026 às 07:59
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EUA propõem tarifar Brasil e 59 economias por falha contra trabalho forçado

O USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos) propôs, em documento divulgado na noite desta terça-feira (2), a imposição de tarifas adicionais sobre produtos do Brasil e de outras 59 economias que teriam se omitido ao tomar medidas contra o comércio de mercadorias provenientes de trabalho forçado.

A decisão dos EUA acontece um dia após o órgão de comércio do governo Trump sugerir a taxação de 25% sobre todas as importações do Brasil.

No comunicado desta terça, o governo americano afirma que estes países falham ao impor e aplicar efetivamente uma proibição à importação de bens produzidos com trabalho forçado.

USTR propõe tarifas adicionais sobre todos os produtos das economias investigadas.

Para as economias que impõem uma proibição à importação de produtos provenientes de trabalho forçado, que se comprometeram a impor e fazer cumprir tal proibição ou para as economias que impuseram um regime parcial com o efeito de impedir a importação desses produtos, o USTR propõe uma alíquota de 10% para as tarifas adicionais. É o caso de Canadá, Equador, Indonésia, México, Paquistão e União Europeia.

Para todas as outras economias, propõe uma alíquota de 12,5% para as tarifas adicionais. Este grupo é composto por Brasil, Argentina, China, Japão, Reino Unido, Rússia, entre outros países.

O Representante Comercial dos EUA também propõe um mecanismo têxtil que permitiria a entrada nos Estados Unidos de um determinado volume de importações de vestuário e têxteis de certas economias com uma alíquota tarifária reduzida da Seção 301.

 

“A falha dos nossos parceiros comerciais mais importantes em abordar a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado é inaceitável. Isso cria uma dinâmica em que os trabalhadores americanos são forçados a competir globalmente em condições desiguais”, disse o embaixador Jamieson Greer.

“Não toleraremos mais essa disparidade. Alguns parceiros comerciais já tomaram medidas iniciais para impedir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado, inclusive por meio do USMCA e de compromissos em Acordos sobre Comércio Recíproco. No entanto, cada um dos nossos parceiros comerciais deve fazer mais para garantir que o comércio não incentive e perpetue o trabalho forçado em nível global.” afirmou Greer.

Investigações sobre o Brasil

No caso do Brasil, o USTR concluiu que o país não implementou nem aplicou de forma eficaz uma proibição à importação de produtos provenientes de trabalho forçado, classificando essa falha como "irrazoável". De acordo com o documento, a ausência dessa proibição e de sua aplicação efetiva impõe obstáculos ou restrições ao comércio dos Estados Unidos.

"Embora o Brasil afirme proibir a importação de produtos fabricados com trabalho forçado por meio da implementação de compromissos assumidos em acordos de investimento e tratados de livre comércio, essas disposições não proíbem legalmente a importação, para venda no mercado interno, de bens produzidos total ou parcialmente com trabalho forçado em outra economia", diz o texto.

O relatório dos EUA aponta que todas as 60 economias investigadas falharam tanto em impor uma proibição à importação de trabalho forçado quanto em fazer cumprir efetivamente tal proibição.

Como resultado dessas conclusões nas investigações, o Representante Comercial dos EUA propôs uma ação corretiva para consulta pública. As audiências sobre as ações propostas estão marcadas para o dia 7 de julho.

Segundo o USTR, as 54 economias seguintes não conseguiram impor nem aplicar eficazmente uma proibição à importação de bens produzidos com trabalho forçado (12,5% de tarifa adicional):

  1. África do Sul
  2. Arábia Saudita
  3. Argélia
  4. Angola
  5. Argentina
  6. Austrália
  7. Bahamas
  8. Bahrein
  9. Bangladesh
  10. Brasil
  11. Camboja
  12. Catar
  13. Chile
  14. China
  15. Cingapura
  16. Colômbia
  17. Coréia do Sul
  18. Costa Rica
  19. Egito
  20. El Salvador
  21. Emirados Árabes Unidos
  22. Filipinas
  23. Guatemala
  24. Guiana
  25. Honduras
  26. Hong Kong
  27. Índia
  28. Iraque
  29. Israel
  30. Japão
  31. Jordânia
  32. Cazaquistão
  33. Kuwait
  34. Líbia
  35. Malásia
  36. Marrocos
  37. Nova Zelândia
  38. Nicarágua
  39. Nigéria
  40. Noruega
  41. Omã
  42. Peru
  43. Reino Unido
  44. República Dominicana
  45. Rússia
  46. Sri Lanka
  47. Suíça
  48. Taiwan
  49. Tailândia
  50. Trinidad e Tobago
  51. Turquia
  52. Uruguai
  53. Venezuela
  54. Vietnã.

Já as seis economias a seguir não conseguiram aplicar efetivamente uma proibição à importação de bens produzidos com trabalho forçado (10% de tarifa adicional):

  1. Canadá
  2. Equador
  3. Indonésia
  4. México
  5. Paquistão
  6. União Europeia

 

Fonte: CNNBrasil

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