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Estudante de Engenharia Mecatrônica desenvolve pesquisa com óleos vegetais e automação aplicada à biotecnologia

Trajetória na iniciação científica contribuiu para ingresso em programa de engenharia da Embraer

Por Redação Sergipe Notícias Publicado em 04/02/2026 às 10:22
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Estudante de Engenharia Mecatrônica desenvolve pesquisa com óleos vegetais e automação aplicada à biotecnologia

No Nordeste, diversas plantas endêmicas produzem óleos com propriedades únicas, ainda pouco exploradas pela indústria. Entre esses recursos naturais, alguns frutos contêm compostos que podem ser transformados em bioemulsificantes, produtos com aplicação em setores como alimentos, cosméticos e materiais tecnológicos, desde que processados de forma adequada. Desenvolver técnicas para converter esses óleos em produtos industriais exige a união de conhecimentos de química, biotecnologia e engenharia, enquanto agrega valor econômico e promove sustentabilidade na região.

É nesse contexto que se destaca a trajetória de Yan Aragão, aluno de Engenharia Mecatrônica da Universidade Tiradentes (Unit). Bolsista de Iniciação Científica por três anos, com apoio do CNPq, Yan desenvolveu pesquisas voltadas à biocatálise e à automação de bioprocessos, aplicando conceitos da mecatrônica para aumentar a eficiência de sistemas de produção biotecnológica. A integração entre pesquisa aplicada, inovação tecnológica e participação em projetos de extensão levou à sua aprovação no Programa de Especialização em Engenharia (PEE) da Embraer, realizado em parceria com o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA).

Pesquisa aplicada

O primeiro contato de Yan com a pesquisa ocorreu ainda na graduação, quando começou a atuar em projetos na área de Engenharia de Bioprocessos, com foco em biocatálise. Segundo ele, a escolha do tema esteve ligada à oportunidade de aprender na prática, aproveitando os laboratórios da universidade para aplicar conceitos técnicos desde o início da formação. “Escolhi essa área pela vontade de ter minha primeira experiência profissional no mesmo ambiente em que teria aula no turno seguinte, utilizando os laboratórios para aplicar conceitos técnicos desde cedo”, explicou.

A pesquisa tinha como objetivo criar novos bioprodutos a partir de uma planta endêmica do Nordeste, utilizando processos de biotransformação do óleo do fruto em compostos de alto valor agregado e interesse industrial. Yan explica que a proposta buscava oferecer uma alternativa regional e sustentável aos métodos tradicionais baseados em insumos sintéticos. “O trabalho seguiu os princípios da Economia Circular, garantindo o máximo aproveitamento da biodiversidade local e fortalecendo a economia regional aliada à preservação ambiental”, destacou.

Com o avanço dos projetos, Yan identificou gargalos nos processos laboratoriais, especialmente devido à execução manual de etapas que poderiam ser automatizadas. A partir dessa constatação, propôs sistemas automatizados para a produção dos bioprodutos, integrando conhecimentos da Engenharia Mecatrônica a processos tradicionalmente ligados à Engenharia Química. Essa mudança representou um ponto de inflexão em sua trajetória científica, ampliando o alcance da pesquisa e a complexidade dos projetos.

Automação e IA

Nos trabalhos seguintes, o estudante passou a desenvolver um reator automatizado, capaz de monitorar variáveis que antes não eram acompanhadas. A iniciativa envolveu programação de microcontroladores, coleta e análise de dados e integração de sistemas, garantindo maior controle e eficiência nos processos biotecnológicos. “Percebi que muitos processos poderiam ser automatizados, e isso abriu espaço para aplicar a Engenharia Mecatrônica como suporte à Química”, relatou.

A partir dessa base, Yan iniciou uma nova linha de pesquisa: a utilização de inteligência artificial para otimizar processos. Em parceria com pesquisadores da pós-graduação, passou a criar modelos capazes de prever a melhor combinação de variáveis para maximizar a produção de bioprodutos. “A proposta representou um avanço importante, ao unir automação, análise de dados e aprendizado de máquina em um contexto industrial real”, contou.

Durante esse período, o estudante também participou de congressos e simpósios regionais e nacionais, apresentando os resultados dos trabalhos. Para ele, essas experiências foram essenciais para seu amadurecimento acadêmico. “A iniciação científica me ensinou a ser autodidata, a buscar informações de forma crítica e a compreender se aquele conhecimento realmente resolve o problema que estou estudando”, afirmou.

Orientação e apoio

A professora Cleide Mara Faria Soares, pesquisadora da Unit e orientadora de Yan, acompanhou de perto todo o processo. Segundo ela, o potencial do estudante se consolidou ao longo do tempo, principalmente por estar inserido em um ambiente multidisciplinar que envolvia alunos de mestrado e doutorado do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Processos. “O amadurecimento de Yan foi observado tanto nas práticas experimentais quanto na organização, análise e interpretação de dados, além da evolução na elaboração de relatórios técnicos e na comunicação científica”, explicou.

A docente ressaltou que o desempenho do aluno se destacou pela continuidade e pela capacidade de integrar conhecimentos de diferentes áreas, como automação, instrumentação e inteligência artificial, sempre alinhados às demandas dos projetos. “Ele mostrou maturidade científica, responsabilidade com cronogramas e habilidade em transformar resultados experimentais em dados estruturados para análise e otimização de processos”, avaliou.

Esse percurso resultou em reconhecimentos importantes, como o primeiro lugar na área de Engenharia durante a Semana de Pesquisa da Unit (Sempesq 2025). Para a professora, a experiência na iniciação científica também foi decisiva para preparar Yan para processos seletivos altamente competitivos, como o mestrado profissional da Embraer, proporcionando vivência em pesquisa aplicada, organização de portfólio e alinhamento às demandas da engenharia industrial.

Engenharia aeronáutica

Paralelamente à pesquisa, Yan construiu trajetória relevante em projetos de extensão, com destaque para a equipe Corvos Aerodesign. O interesse pela aeronáutica surgiu antes mesmo de ingressar na universidade, quando teve contato com projetos estudantis de aeronaves. Durante a graduação, integrou a equipe, inicialmente no setor de aerodinâmica, atuando no desenvolvimento de asas e empenagens.

Com o tempo, assumiu funções de liderança, tornando-se capitão da equipe e diretor dos setores de Projeto e Desenvolvimento e de Controle e Estabilidade. Nesses cargos, foi responsável por transformar cálculos técnicos em projetos tridimensionais para manufatura, além de garantir a estabilidade e manobrabilidade das aeronaves. “A Corvos foi onde realmente me encontrei na engenharia. Foi um ano de reestruturação, mas essencial para preparar as próximas gerações da equipe”, afirmou.

Segundo o estudante, a experiência no projeto foi determinante para desenvolver habilidades como liderança, escuta ativa e capacidade de traduzir demandas abstratas em soluções de engenharia. “No mercado, o cliente nem sempre é da sua área. A Corvos me ensinou a transformar as necessidades do cliente em projetos viáveis, respeitando normas e aplicando criatividade e técnica”, explicou.

Formação integrada

Para Yan, a aprovação no Programa de Especialização em Engenharia da Embraer é resultado direto da combinação entre pesquisa, extensão e vivências práticas durante a graduação. O programa, em parceria com o ITA, permite que engenheiros de diversas áreas realizem mestrado profissional enquanto atuam na empresa, em um processo seletivo altamente competitivo. “A junção da pesquisa, da empresa júnior e da Corvos Aerodesign foi o que me moldou como profissional, desenvolvendo perfil autodidata e capacidade de transformar necessidades em projetos”, destacou.

Para a professora Cleide Mara, o caso de Yan evidencia a excelência da formação em Engenharia da Unit e o impacto dos programas institucionais de pesquisa. “A aprovação dele mostra que a iniciação científica, quando bem orientada e apoiada pela infraestrutura da universidade, pode gerar trajetórias acadêmicas e profissionais de alto nível”, afirmou.

Olhando para o futuro, Yan pretende atuar prioritariamente na indústria, considerando a academia como etapa essencial de aprendizado. Para outros estudantes, deixa uma orientação clara: aproveitar a graduação como espaço de experimentação. “A universidade é o lugar de errar rápido, testar caminhos e descobrir onde realmente se encaixa. A pesquisa abre portas que a graduação sozinha não oferece e prepara o estudante para inovar no mercado”, concluiu.

 

Por: Laís Marques 

Fonte: Asscom Unit

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