Análise: Zenfone 4 mostra que é possível aprender ouvindo o consumidor

Ouvindo o consumidor, a ASUS trouxe melhorias em software e hardware, num smartphone sóbrio que chama a atenção por sua beleza desde o momento que é retirado do bolso.

Publiciado em 06/11/2017 as 13:11
Marcos Meneses/ SergipeNoticias.Com

O tempo melhora o vinho, por que não melhoraria um smartphone? Essa é a pergunta que fiz após usar não apenas um, mas quatro modelos da ASUS: os Zenfones Zoom, 3, 3 Zoom e 4. A resposta, por mais óbvia que pareça, de todos os aparelhos que usei, o Zenfone 4 é o que mais apresentou evoluções, que vão desde a otimização do sistema ao design, que formam um conjunto extremamente acertado que deve agradar diversos perfis de usuário, mas ainda não é um produto perfeito.

Terceira maior fabricante de notebooks do mundo e uma das principais fabricantes de componentes para computadores, a ASUS encara o mercado mobile há pouco mais de 4 anos e está presente no Brasil desde o início da linha Zenfone, em 2014, e já dita alguns diferenciais, com aparelhos intermediários com acabamento premium e foco em fotografia, ditado pela campanha global da fabricante: We Love Photo, apostando em um conjunto de dispositivos com conjunto de dual-câmera, frontal ou principal, que chegaram no Brasil por valores que vão de R$ 1099 a R$ 2599.

Para conhecer o aparelho a ASUS Brasil nos enviou o carro-chefe para nosso mercado, com processador Snapdragon 660 da Qualcomm, com quatro núcleos rodando a 2.2GHz e outros quatro rodando a 1.8GHz 6GB de memória RAM e 64GB de armazenamento interno. Concluindo as configurações, o aparelho conta com um display fullHD de 5,5 polegadas com tecnologia Super IPS+, leitor biométrico na parte frontal do aparelho e um conjunto de três câmeras, sendo uma frontal de 8 megapixels e duas câmeras traseiras, uma delas usa sensor Sony de 12 megapixels com abertura f/1.8  e  a outra usa um sensor OmniVision de 8 megapixels com abertura f/2.2 e 120º de ângulo de visão da lente. A bateria possui 3300 mAh (maior que a do Galaxy S8, da Samsung) com suporte a carregamento rápido.

Conectividade

Integrado ao processador Snapdragon 660, a Qualcomm acrescentou um modem 4G chamado Snapdragon X12, o mesmo presente em alguns aparelhos top de linha, como o LG G6. Ele foi projetado para suportar as principais tecnologias de conectividade 4G do mundo, suportando com velocidades de download de até 300Mbps (dependendo da operadora. Além disso, um modem Wi-Fi Dual Band com suporte às bandas a/b/g/n/ac também é integrado no mesmo chip.

A Qualcomm aposta no X12 para estabilidade do sinal de operadoras e otimizar o consumo de bateria, o que aparentemente surtiu efeito.

Bateria

Com 3300 mAh, o Zenfone 4 chega com mais bateria que o seu antecessor, o Zenfone 3, com 3000mAh no modelo com 5,5 polegadas. Associado ao processador Snapdragon 660, que é mais potente que o processador presente no modelo anterior, que contava com o Snapdragon 625.

Em meu uso, por mais que a bateria seja maior, a duração da bateria foi equivalente, com cerca de 20h de uso contínuo e cerca de 8h de tela. Segundo a ASUS, o aparelho suporta até 23 dias em standby e até 30h de chamadas no 3G. Além disso, sua bateria possui carregamento rápido com padrão 18W, carregando a bateria de 0 a 50% em 36 minutos. No modelo com Snapdragon 630, o carregador presente possui 10W.

Áudio

Mesmo com foco em câmera, alguns detalhes chamam a atenção no Zenfone 4. O smartphone conta com som stereo, compatibilidade com dispositivos Hi-Res, além de aptX para transmissão de música em alta definição via bluetooth. Para fones de ouvido, a empresa aposta na tecnologia DTS HeadphoneX 7.1, tecnologia pioneira no Brasil.

Em nosso uso, porém, há ressalvas no áudio, principalmente relacionado aos alto falantes. Por mais que o Zenfone 4 conte com som stereo, os alto falantes não possuem a mesma intensidade. Logo, se cobrir o alto falante inferior, a qualidade do áudio cai consideravelmente. Outra maneira de aprimorar o áudio nos alto falantes é ativar o modo extremo no aparelho.

O Zenfone 4 também é o primeiro dispositivo comercializado no Brasil a contar com o novo padrão da tecnologia bluetooth, que chegou ao padrão 5.0 com maior alcance, maior taxa de transferência de informações e menor consumo de bateria. Horas de streaming de música por meio de aplicativos como o da 103FM Aracaju ou o Deezer não são problema e a qualidade é próxima a do fone de ouvido com fio.

Software

 

Além da mudança estética se comparado com as gerações anteriores, o software da Asus passou por uma mudança que vai além da parte estética. Ela é importante, claro, mas não se compara com os detalhes por trás de uma boa limpeza feita pela empresa.

Além de retirar dezenas de aplicativos do sistema de seus smartphones, reduzido outros a atalhos (o rádio FM é um exemplo disso), a empresa focou em algo mais importante que tudo isso: otimização. E o principal recurso da nova ZenUI é o OptiFlex, uma tecnologia que acelera o tempo de abertura de aplicativos, além de priorizá-los em atividades em segundo plano.


Além disso, é possível usar duas contas de WhatsApp, Facebook, Twitter ou Instagram, com o TwingsApps, ou aplicativos gêmeos. Recurso interessante para quem usa um contato pessoal e um profissional no mesmo aparelho.

Câmera

Num design totalmente flat, sem qualquer tipo de protuberância. A principal característica do Zenfone 4 são suas câmeras duplas, um delas possui um sensor OmniVision de 8 megapixels e lente grande angular de 120º e abertura f/2.2 e a outra um sensor Sony com abertura f/1.8, além disso, conta com PDAF, sensor de correção RGB e, claro, Flash LED. Mas nada disso é importante ou relevante. Para selfies, uma câmera de 8 megapixels.

São câmeras acima da média para o preço, com recursos que envolvem desde modo manual, câmera lenta e time lapse, até a possibilidade de fotos com até 48 megapixels. O HDR também foi ajustado para um melhor desempenho em pouca luz. Até porque os dois sensores, em boas condições de luz, tem resultados bem próximos em cor, mas em detalhes e captação de luz, o sensor principal realiza um trabalho mais eficiente, mas as limitações da grande angular me fez questionar comigo mesmo a escolha, até entender a proposta. Isso porque o uso de uma lente grande angular não é para todos os momentos e situações, ele é limitado a imagens com foco infinito e boas condições de luz. Em pouca luz ele vai perder detalhes, mesmo que no modo manual. Quer tirar foto à noite ou com uma iluminação muito abaixo do normal, use o sensor principal. Os resultados com fotos com as duas câmeras, você vê aqui:

O grande trunfo para o Zenfone 4 não são os sensores, mas como a tecnologia da ASUS por trás das câmeras, a Pixel Master trabalha sobre eles. Depois de muito tempo, a Pixel Master deixou de ser apenas um aplicativo. Agora a API é proprietária, e trabalha diretamente com a firwmware, otimizando melhor os recursos e garantindo otimização e baixo consumo de energia durante o uso.



Zenfone 4 ZE554KL

Conclusão

Indiferente ao processador, que varia de acordo com a versão do Zenfone 4 (há versões com Snapdragon 630 e com Snapdragon 660), a ASUS entrega um telefone estável, com desempenho superior a smartphones na mesma faixa de preço, mantendo o preço inicial do modelo anterior, chegando ao Brasil por R$1899, também com 4GB de RAM e 64GB internos. O modelo que experimentamos, com 6GB de RAM e 64GB internos, entrega mais desempenho bruto e NFC, mas mantém todas as características comuns importantes: desde a otimização do sistema pela nova interface da empresa às câmeras.

Por falar em câmeras, responsáveis pelo slogan da empresa para a linha, mesmo com algumas limitações, elas são competentes. O destaque vai para o HDR em pouca luz, que consegue balancear as cores e manter os detalhes, diminuindo os ruídos de maneira bem eficiente. A segunda câmera, grande angular, deve ser usada pelo usuário sem que suas limitações sejam esquecidas (não é em toda fotografia que uma lente de tipo pode ser utilizada.  Senti falta da mesma versatilidade na câmera principal na lente grande angular, mas os resultados eram esperados.