Governo e MMA levarão programa Fundo Clima para todos os municípios do Alto Sertão

Publiciado em 21/04/2017 as 08:10

O secretário de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos, Olivier Chagas, recebeu em seu gabinete na manhã desta quinta-feira, 20, o gestor governamental do Ministério do Meio Ambiente (MMA), João Sávio Padilha. O encontro objetivou alinhar ações do programa Fundo Clima, o qual atua para recuperar áreas florestais, localizadas no Alto Sertão sergipano, que estão devastadas pelos efeitos da seca.
Durante a reunião, o representante do MMA anunciou que o programa em Sergipe passará por mudanças. Agora, todos os municípios sergipanos do Alto Sertão serão contemplados pelo programa, e não mais 20 comunidades em unidades demonstrativas.
“A gente está aqui para acompanhar os projetos e reorientar algumas metas e articular para um aditivo desses termos de convênio. O programa vai alcançar todos os municípios do Alto Sertão. Ajustamos o plano de trabalho do convênio. Foi uma reunião de realinhamento para que a gente ultrapasse as metas de estudos e de ações de capacitação para ação transformadora dessas realidades, onde temos os problemas de secas e degradação de áreas degradadas”, explicou João Sávio Padilha.
Para Olivier Chagas, o projeto é crucial para combater a desertificação na região do semiárido, além de incluir socialmente os sertanejos. “Estamos fazendo alguns ajustes para o Fundo Clima, voltados para o combate à desertificação no semiárido. Com esses entendimentos, nós alinhamos os objetivos que a Semarh e o MMA têm em comum, para que possamos, em parceria com o governo Federal, e com os municípios, desenvolver ações para a nossa caatinga”.
Para o superintendente de Biodiversidade e Florestas da Semarh, Elísio Marinho, essa nova remodelagem do projeto está de acordo com o que o MMA executa em todo o Nordeste, seguindo os padrões das Unidades de Recuperação de Áreas Degradadas e Vulneráveis (Urads).
“Foi decidido com o MMA que, ao invés de investir o dinheiro com 20 projetos de R$ 50 mil cada, nós deveríamos fazer uma unidade de recuperação de áreas degradadas e vulnerabilidade da desertificação em cada município do Alto Sertão, e não mais em 20 unidades, como previa o projeto piloto. O MMA concordou e os técnicos estão vindo a Sergipe para aditivar esse projeto para mais um ano. Agora, cada município receberá R$ 550 mil para investir em comunidades de até 30 famílias, trabalhando três vertentes: a ambiental, que vai recuperar a área degradada, como reflorestamento e controle de erosão, e a vertente social, com a construção de cisternas, barragens para acúmulo de água, construção de banheiro social para famílias, e a vertente produtiva, que é a implantação de quintais produtivos com integração agroflorestal".

Fundo Clima

Pioneiro no apoio a pesquisas e programas de mitigação e adaptação, o ‘Fundo Clima’ é um dos principais instrumentos da Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC). Com natureza contábil e vinculado ao MMA, é administrado por um comitê formado por representantes de órgãos federais, da sociedade civil, do terceiro setor, dos estados e dos municípios.

Desertificação

Estudos mostram que as áreas suscetíveis à desertificação representam 16% do território brasileiro e 27% do total de municípios. Em Sergipe, os municípios do Alto Sertão enquadram-se em áreas susceptíveis aos severos efeitos da seca. Nessas regiões, são observadas ainda a extração de lenha para obtenção de energia com práticas degradadoras, que expõem os solos aos agentes erosivos, entre outros fatores que ainda fazem parte do cotidiano do homem sertanejo.